Amanhã, dia 21, será eleito o novo diretor da UTFPR - CM
Debate entre candidatos esclareceu pontos de vista e mostrou que, independente do resultado, muitas mudanças deverão acontecer na instituição.
Foi realizado na última segunda-feira (18), no anfiteatro local, um debate entre os candidatos à diretoria da UTFPR – CM, onde cada qual teve a oportunidade de apresentar seus projetos para a administração da instituição.
Não poderíamos deixar de parabenizar a maciça presença de alunos do ensino médio e acadêmicos, que simplesmente lotaram o anfiteatro mostrando que nossos jovens estão mais politizados, participativos e interessados numa universidade melhor.
O ambiente, ao contrário do que poderia se imaginar, aconteceu em clima de muita cordialidade, tendo como mediador Cristiano Calixto, auxiliado pelo presidente da subcomissão Silvio Tosaw.
Cada candidato realizou perguntas ao seu adversário e, em nossa opinião, ambos se saíram bem tanto nas perguntas como em suas respostas, salvo algumas poucas “alfinetadas” que partiram de ambos os lados. Neste ponto, Celso Gandolfo se mostrou um pouco mais preparado para responder perguntas.
O clima só ficou um pouco mais pesado no momento em que as perguntas foram abertas ao público presente. Abaixo, algumas das perguntas realizadas:
- Patrícia para Heron - Professor! Quando o senhor nos levou para realizarmos aulas práticas no cromatógrafo o mesmo se encontrava quebrado, impossibilitando todos os alunos a usufruírem deste importante e sofisticado equipamento. Como o senhor vê esta situação?
- Heron – O cromatógrafo, equipamento sofisticado e de cara manutenção, foi adquirido em 1996, portanto, está quebrado há 12 anos. Na época, a Coamo nos fez uma oferta para adquirir o mesmo, o que não foi aceito apesar de nossa oposição. Agora, a cooperativa já possui o seu próprio equipamento e a universidade encontra-se com uma sucata que, se for reativada, terá um custo de manutenção avaliado em 10 mil reais ao ano. Foi um erro da administração.
- Hugo para Celso - Gostaria de saber o que está sendo gasto na universidade e de que forma estes gastos e as licitações acontecem. Como posso acompanhar se não encontramos tais informações em editais e nem no site da UTFPR?
- Celso - Realmente perdemos muito com isso, mas somos obrigados a publicar estes dados na imprensa e todos eles são aprovados pelos órgãos competentes e fiscalizadores. Infelizmente desta forma, muitas vezes as coisas não funcionam como gostaríamos, priorizando empresas e fornecedores daqui e não da Bahia, por exemplo.
- Arcelo Pereira para Heron – Professor Heron, o que o senhor acha de professores que aqui na UTFPR acumulam além do cargo para o qual foram contratados, mais 4 funções administrativas, tirando o emprego de outros? Em nossa instituição, seis ou sete professores acumulam cargos que deveriam ser assumidos pelos técnicos que conquistaram seus direitos em concurso público! Quando os novos técnicos que estão para serem contratados entrarem vão fazer o que? Dar aulas?
Heron: Professor tem que responder pelo ensino. Eu não admito e não admitirei técnico concursado como motorista, assumindo cargo financeiro como acontece aqui.
Leonardo para Celso – Como vai ficar o nosso Restaurante universitário? Vão ser implantados novos cursos e construídos novos blocos, mas RU vai continuar sem existir e os locais para realizar-mos uma boa refeição são muito longe e caros. (Pergunta muito aplaudida por todos os alunos presentes).
Celso – Celso respondeu que gostaria muito de implantar um RU no local, mas que nenhum outro campus o possui. Disse ficar muito irritado também com a lentidão com que a lanchonete vem sendo implantada. (A resposta, talvez impensada, gerou risos na platéia).
Ausência da imprensa
Causou-nos muita estranheza a ausência completa da imprensa mourãoense durante o debate. Sabemos que nossa imprensa jamais deixa de acompanhar qualquer acontecimento em nossa cidade quando solicitada.
No local, não encontramos um repórter sequer de televisão, rádio, ou da mídia escrita. Fato realmente muito estranho.
Entrevista realizada com o candidato Heron O. dos Santos Lima
1) Por que ser Diretor da UTFPR campus Campo Mourão?
Heron: Cheguei aqui em 2001, e de lá para cá tenho vivido intensamente esta universidade, seja no ensino, na pesquisa, na extensão, na administração; e como parte integrante deste processo percebo falhas graves no modelo de gestão atualmente aplicado na nossa instituição. Insiste-se numa administração centralizadora e corporativa, ancorada nos moldes de mais de uma década quando ainda éramos apenas escola técnica, CEFET, bem a desejar para um modelo de universidade. Hoje, temos pelo menos cinco vezes mais servidores e alunos, e aproximadamente o triplo do número de cursos, entre profissionalizante e superior, e mais ainda, além do compromisso com a educação pública de qualidade, temos a responsabilidade de participar efetivamente do desenvolvimento social, político, tecnológico e econômica da nossa região, ou seja, temos obrigações, aspirações e expectativas que vão muito além do papel de escola, e, que, portanto, aquele modelo da década passada, baseado na tentativa e no erro, onde o re-serviço é tratado como investimento, não funciona mais; a palavra de ordem agora, é planejar; precisamos de políticas acadêmicas bem estabelecidas, onde se valorize tanto o ensino, a pesquisa e a extensão; é preciso conhecer as nossas competências e perceber as necessidades da sociedade, e, acima de tudo, gerenciar os recursos financeiros e econômicos com transparência e de acordo com os objetivos da universidade pública; Enfim, sou candidato porque, junto com um grupo que representa todos os segmentos da universidade, ou seja, professores, técnico-administrativos e alunos, temos uma proposta de gestão diferente da atualmente aplicada em nosso campus e entendemos que a nossa universidade tem que fazer uma opção: ou ela seguirá sendo essa boa instituição que é, cumprindo apenas parte do seu compromisso, ou dará um salto qualitativo e quantitativo e se tornará uma universidade de excelência.
2) Que problemas considera emergenciais?
Heron: Temos vários problemas na nossa instituição, porém três considero emergenciais. O primeiro diz respeito à desigualdade no nosso campus. Nós precisamos uniformizar a Universidade, precisamos fazer com que as diferentes coordenações, áreas e segmentos possam ter as melhores condições possíveis para desenvolver suas missões. Isto tudo, é claro, sem prejuízo de um sistema meritocrático, ou seja, aquele que faz por merecer, que demonstra trabalho e seriedade, deverá ter todas as condições de seguir adiante com a sua atuação. O segundo, ainda mais premente, é que a universidade precisa urgentemente se planejar e organizar melhor suas práticas. Ela precisa estabelecer visões precisas a curto, médio e longo prazo. Eu penso que o planejamento estratégico institucional é muito importante para uma gestão moderna e adequada. Mas não, simplesmente, o planejamento verticalizado de cima para baixo, pelo contrário; deve ser segmentado por departamentos e de baixo para cima, aí sim, institucionalizado. Temos hoje graves problemas em nível operacional, e que boa parte poderia ter sido evitada com planejamento. Costumo comparar hoje nossa universidade com um “Boing” em pleno vôo, onde, infelizmente, estamos consertando as asas e não temos plano de vôo, ou seja, se não sabemos onde e como chegar, qualquer lugar serve. Em terceiro, precisamos reavaliar o acúmulo de cargos e, principalmente, os desvios de função na nossa instituição. Atualmente percebemos docentes em funções estritamente administrativas, que, além de sobrecarregar seus pares professores das respectivas coordenações, privam o reconhecimento às competências dos técnico-administrativos. Por fim, é preciso ainda, estabelecermos um compromisso com a transparência pública, principalmente, no que diz respeito a nossa Fundação de apoio, visto que, como servidores públicos, temos a obrigação de prestar contas à sociedade.
3) O sr. acha que a UTFPR campus Campo Mourão cresceu?
Heron: Sim, sem dúvidas. Ao longo destes treze anos crescemos em vários aspectos. Vieram novos cursos, aumentou-se o quadro funcional, multiplicou-se o número de alunos, porém, a estrutura física não acompanhou a demanda. Hoje nos faltam salas de aula; os laboratórios estão sendo divididos ao meio para suportar os cursos de tecnologia e engenharia; faltam professores e material de consumo, tanto para as aulas práticas como para pesquisa; a biblioteca é deficiente; não temos recursos se quer para cercar a universidade, nos falta água, etc. Enfim, crescemos de forma desordenada, sem planejamento. E ainda, se não bastasse tudo isto, estamos prestes a receber dois novos cursos, engenharia eletrônica e licenciatura em química, cujos laboratórios são específicos e caríssimos. Na minha opinião precisamos estruturar inicialmente o que temos, ou seja, devemos dar as devidas competências curriculares aos nossos alunos, o que inclui pesquisas científicas e tecnológicas, empreendedorismo, projetos de extensão, estágios, etc., precisamos urgente estabelecer prioridades e, assim, crescermos com responsabilidade.
4) Qual sua opinião em relação ao REUNI?
Heron: O grande mérito da proposta do REUNI recai em ampliar o acesso às universidades. Porém, tenho minhas reservas, principalmente, em relação a algumas metas que podem comprometer a qualidade do ensino. Outro cuidado que devemos tomar é que os recursos financeiros advindos do REUNI estão atrelados ao atendimento das metas impostas pelo decreto, o que deve comprometer parte dos recursos. Além do que, mesmo com a vinda dos recursos financeiros, o fluxo de contratações e de melhoria de infra-estrutura será muito mais lento do que as demandas. Não se constrói um bloco ou equipa um laboratório do dia para a noite, e todos nós sabemos disso, pois temos vários exemplos na nossa unidade. Por exemplo, levamos sete semestres para fazer funcionar o laboratório de panificação do curso de tecnologia de alimentos, ou seja, a primeira turma que se formou, se quer, teve aula prática de panificação. Outro exemplo, em 1996 a universidade adquiriu um equipamento de analises físico-químicas, e só este semestre está sendo instalado. Outro exemplo, mantemos em folha de pagamento uma dentista desde o final de 2006, e só agora dispomos do consultório odontológico em condições inapropriadas para sua utilização, visto que, lhe falta Alvará de funcionamento e a respectiva Licença Sanitária, que, por Lei, deveriam estar expostos ao público em lugar visível. Bom, enfim, inúmeros são os exemplos da dificuldade de captação e aplicação dos recursos públicos. Não é tão simples como se falam em véspera de eleição. Não podemos alimentar a comunidade universitária com ilusões e demagogias.
5) Quais as suas principais propostas?
Heron: Temos várias propostas importantes, todas apresentadas no nosso plano estratégico de gestão, mas gostaria de destacar algumas que as considero fundamentais para transformação da UTFPR, por exemplo: institucionalizar a prática do planejamento estratégico setorial de desenvolvimento, como dito anteriormente, ou seja, se não sabemos aonde e como chegar, qualquer lugar serve; precisamos estabelecer critérios justos para a contratação e distribuição de vagas para concursos de professores, bem como criar uma política de afastamento à capacitação de docentes e técnico-administrativos a partir da contratação de colaboradores substitutos e liberação de efetivos. Resgatar a cultura empreendedora na nossa instituição, sobretudo, viabilizando a etapa de pré-incubação de projetos no nosso Hotel Tecnológico do campus Campo Mourão e a etapa de incubação na Fundação Educere, com apoio do SEBRAE e com a busca de recursos de desenvolvimento da FINEP. Implantar a cultura de transparência pública das ações da Fundação junto aos colaboradores e mantenedores; Buscar recursos além do custeio, ou seja, PROEP, editais FINEP, SETI, IEL, etc., de maneira a viabilizar os cursos existentes e novos cursos que virão; Fortalecer e viabilizar ações da FUNTEF, possibilitando disponibilizar bolsas institucionais aos alunos, bem como verba de bancadas aos projetos de P&D no nosso campus. Enfim, inúmeras propostas que na nossa visão darão um novo rumo à nossa universidade. |