África será tema principal da Semana da Consciência Negra
Começa na próxima terça-feira (17) e segue até dia 20 de novembro a Semana da Consciência Negra em Campo Mourão. A organização é Secretaria Especial de Cultura e Espaço da Cultura Popular, com apoio do SESC– Unidade Campo Mourão, Colégio Estadual Unidade Pólo e Secretaria de Ação Social. Na programação duas palestras, teatro, apresentações artísticas, sessão de autógrafos e um sarau literário com Carlos Soares, baseado na obra de Adelar Motter.
A abertura do evento será dia 17 às 09H30 na Biblioteca Pública Municipal Professor Egydio Martello com a palestra “Preconceito e Estigma”, feita por Ana Lúcia Nogueira da Silva da Secretaria de Saúde de Campo Mourão. Também haverá apresentações artísticos com o Grupos Dandara e Viva Escola do Colégio Estadual Unidade Pólo.
No dia 18 às 20 horas tem Sarau Literário: “Moçamba – cores e gentes de África”, baseado a obras do escritor Adelar Motter, comdireção de Carlos Soares, também na Biblioteca Pública Municipal Professor Egydio Martello, na Estação da Luz, às 20 horas.
Na quinta-feira (19 de novembro acontece a palestra África & Culturacom Adelar Motter, às 20 horas no Teatro Municipal com sessão de autógrafos dos Livros: “Moçamba – Cores e Gentes de África” de fotografia, e "Africanto – Crônicas Moçambicanas”. Ainda nessa noite serão feitas apresentações do Grupo Treme Lata da Secretaria de Ação Social e de fragmentos do espetáculo Malandragem do Espaço da Cultura Popular.
No dia 20 de novembro tem a peça teatral “O Diário de um Louco”, do PalcoGiratório SESC-Paraná, às 20 horas, com entrada gratuita.
O Escritor Adelar Motter
Por dois longos períodos entre 2004 e 2006, o agrônomo Adelar Motter saiu de Londrina, norte do Paraná, esteve em Moçambique, sudeste da África, como membro de uma equipe de especialistas patrocinada pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional.
O objetivo era participar do esforço de recuperação de um país que enfrentou cerca de 10 anos de uma sangrenta luta pela independência de Portugal, seguida por mais 16 anos de guerra civil, envolvendo os partidários da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), de orientação socialista, e da Resistência Nacional moçambicana (RENAMO).
Lá não tardou a ver o que o olhar de um estrangeiro espera encontrar. O país enfrenta dificuldades de todo tipo – faltam empregos, habitações, saneamento básico, eletricidade, água, alimentos e sobram desnutrição, epidemias de AIDS e de febre amarela, burocracia, corrupção e uma caótica estrutura de poder, e se liga ao Brasil por um povo que fala português e sustenta uma inacreditável alegria.
Especialista em gestão pública e desenvolvimento rural, Motter não relutou em deixar a posição de estrangeiro para vivenciar aquele novo mundo, sem medo de intenções, empatias e influências. Ainda assim, mergulhar de tal forma no universo do outro não é coisa fácil de fazer. “Desvestir-me de um imaginário que trazia sobre o continente foi um desafio”, admite.
O que viu, ouviu e vivenciou aparece agora em dois livros publicados com apoio do Programa Municipal De Incentivo A Cultura (Promic), de Londrina. Africanto, de crônicas e Moçamba, de fotografias.
Nesta nova incursão pela produção editorial, Motter revela um país contraditório (qual não é?) que, oscilando entre o tradicional e o moderno, luta para curar as feridas de um recente passado de guerras e superar a pobreza, a burocracia insana e a falta de infraestrutura. Ao mesmo tempo, apresenta ao leitor um povo alegre, colorido, sedutor, mergulhado em uma paisagem iluminada e, em muitos aspectos, até mágica, talvez, por obra de algum Xamã local.
Em cada página de fotografia, Adelar Motter, deixa transparecer respeito e a admiração que desenvolveu pelos moçambicano. Talvez revelando mais do que gostaria, mostra ainda outra viagem dentro da viagem à África: um mergulho interior. Noções preconcebidas cederam lugar à compreensão da lógica própria de um povo – sustentada em raízes históricas e culturais bem particulares. Ele deixou o olhar estrangeiro nas savanas de Moçambique para trazer apenas um olhar, sem adjetivos. É preciso ter coragem para fazer isso. |