Artigo
Em Resposta as publicações de entrevista com o economista americano (de origem polonesa), Martin Carnoy, veiculadas na Folha de São Paulo de 10/08/2009 e na Revista Veja de 30/09/2009.
Marciná do Carmo Gonçalves Kaminski e Roni Amélia Ianik Tiburcio
Lemos a entrevista realizada por Monica Weinberg ao americano Martin Carnoy e dispenso a ele um voto de repúdio.
Buscamos então analisar o texto sobre todos os ângulos possíveis, inclusive procurando compreender em que teoria Carnoy se baseia para escrever ou falar sobre educação.
Carnoy tem uma base sólida quando fala sobre política, escreve de maneira clara sobre as teorias políticas e tem como base em seus escritos Marx e o parabenizo por isto, porém ao falar sobre educação, tornou-se genérico, não soube analisar a educação em termos políticos, sociais, culturais e econômicos, que nós educadores comprometidos com uma educação pública de qualidade, temos estudado e divulgado a esta sociedade que simplesmente deixa de ver o que existe além das políticas neoliberalistas, que se faz tão presentes nos meios de comunicação.
Percebemos o desconhecimento de Carnoy enquanto as teorias que estão dando subsídios à educação brasileira, principalmente do Estado do Paraná, que vem buscando de todas as maneiras, resgatar a Pedagogia histórico-crítica, defendida pelo clássico em Educação Professor Dermeval Saviani, na superação de ideologias neoliberalistas que foram importadas, desmerecendo os nossos intelectuais brasileiros.
Por que não esta revista entrevistar professores que pesquisam com seriedade a nossa educação, como Dermeval Saviani, Newton Duarte, José Carlos Libâneo, Selma Garrido Pimenta, e tantos outros, que tem clareza da nossa realidade enquanto educadores. É com tristeza que vejo não só uma política governamental federal defender e comprar as idéias estrangeiras, como agora se percebe claramente que a mídia também tem valorizado muito mais as idéias estrangeiras como verdadeiras, do que a valorização de nossos profissionais da Educação.
Concordamos quando diz que há um excesso de ideologia na educação e que este não é apenas um problema do Brasil. Porém precisamos que a mídia divulgue e faça entrevistas com educadores comprometidos com a educação brasileira e não com aqueles que divulgam e encobertam as idéias neoliberalistas que querem apenas um professor animador. Nunca vimos em lugar nenhum que estudar é fácil, para este ato é necessário concentração, atenção, compromisso, responsabilidade, disciplina e assim por diante. Então estudar não é fácil, exige comprometimento do aluno, dos pais, da sociedade.
Mas voltando a entrevista, podemos até concordar quando cita que os professores perdem tempo em sala de aula chamando atenção dos alunos. Mas algumas indagações precisam ser feitas, para não cairmos no esvaziamento do conhecimento, como caiu Carnoy, pois quando afirma que visitou apenas dez escolas, e faz disto uma generalização da educação no Brasil, demonstrou pouca pesquisa para tal afirmação. Se a indisciplina existe é preciso pensar: A indisciplina que existe na sala de aula não é um reflexo da sociedade existente? Quem é essa sociedade? Que Cultura a mídia tem passado? Que tipo de educação a mídia vem tratando?
Quando enfoca a questão salarial, e diz que o salário é razoável, não vou discordar, talvez seja razoável, comparando aos miseráveis de outros profissionais, mas para o tão importante papel que o Professor desempenha, está longe de ser condizente.
Outro ponto que preciso concordar com Carnoy é quando ele fala que estamos na linha da mediocridade, realmente quando afirmamos que o Brasil compra modelos de educação, e não valoriza os Nossos Professores clássicos, só podemos estar na linha da mediocridade.
Porém queremos ressaltar que no Estado do Paraná nós professores da rede estadual temos orgulho em ter uma Secretaria de Educação e um Sindicato que tem nos oferecido uma concepção teórica baseada na Pedagogia Histórico- Critica defendida por Dermeval Saviani.
E é a este educador que acreditamos que vocês jornalistas deveriam dar crédito, por que este conhece e sabe da História da Educação no Brasil.
Nós professores sabemos de nossos erros, mas também sabemos que não podemos sozinhos, resolver em sala de aula os problemas sociais e econômicos, isto seria ingenuidade de nossa parte. Para isto é necessário que exista uma política educacional, econômica e social, e o envolvimento da sociedade.
Professores do Estado do Paraná: Estamos Parabéns, pois construímos as Diretrizes Curriculares de nosso estado, a proposta pedagógica da nossa escola, enfrentamos os desafios educacionais e nos preocupamos com uma Escola Pública de qualidade.
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