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A SOJA - O MEIO AMBIENTE E O HOMEM
                                                      João Marcos Durski

Quando iniciei minhas atividades como Engenheiro agrônomo, aplicava-se uma a duas pulverizações de inseticidas na cultura da soja. A expansão desenfreada da área de plantio, por todo o país, a falta de rotação de culturas, a ganância por lucro rápido, fez com que pragas e doenças encontrassem ambiente propício à sua proliferação. Enormes áreas de plantio criam um microclima, onde espécies sempre existentes e novas espécies encontrem ambiente propício para seu desenvolvimento.
Hoje, a maioria dos produtores rurais, tem que utilizar um fungicida de contato e um sistêmico na semente, mais um inseticida de contato ou sistêmico, ou ambos. Isso, antes do plantio. Também antes, há pulverizações de dessecação em plantio direto, o que envolve um ou dois herbicidas. Já temos então, 6 produtos químicos, somente antes do plantio. Após a emergência da soja, há necessidade de se controlar mais ervas daninhas, pragas e doenças. Para tanto são utilizados herbicidas, inseticidas, e fungicidas. As vezes, com necessidade de 2-4 pulverizações de cada produto. Em resumo, hoje utiliza-se aproximadamente de 12 a 15 produtos químicos na soja. Falam em ecologia, meio ambiente, receituário agronômico, mas a poluição dos rios, do solo, do ar continua cada vez maior. A estrutura das empresas é capacitada para 3-4 culturas, mas há predominância de soja e milho. Novas pragas e doenças surgem periodicamente. Novos produtos são lançados no mercado. A grande maioria dos agrônomos de hoje, são obrigados a trabalhar com vendas de produtos, entre os quais os "defensivos"agrícolas....Venenos! Passaram a ser receitadores de venenos e outros produtos. Se não fizer isso, não há mercado de trabalho. Empresas estabelecem metas pesadas de vendas, e verdadeiros malabarismos são feitos com palestras, dias de campo, reuniões, a fim de induzir os produtores a comprar e utilizar mais e mais produtos. Sem contar o corpo a corpo em visitas de vendedores às propriedades rurais. Há ainda, a resistência de insetos, ervas daninhas e microorganimos a produtos utilizados continuamente, o que obriga a necessidade de se utilizar produtos diferentes, mas em pouco tempo, se não houver alternância de produtos ou novos produtos, nova resistência ocorre. E com isso, mais venenos são utilizados. A ganância do homem é superior à sua inteligência, e no ritmo em que as coisas andam, o caos será inevitável. Onde estão os pássaros e peixes que habitavam nosso meio há 40 anos? Onde está o cascudo, que pegávamos com as mãos nos rios? Pernilongos ovipositam nas águas, e eram controlados pelos cascudos. Hoje, em regiões de indústrias que despejam detritos na água, é quase impossível de se viver em paz. A proliferação de insetos aumentou imensuravelmente. Assim somos nós, homens empreendedores, bem sucedidos, inteligentes, que fazem o "progresso". Assim somos nós que somos homenageados, recebemos prêmios, e adjetivos bonitos! Não nos classificamos como destruidores, poluidores. Gerações futuras (se houver), certamente nos taxarão de acéfalos!
João Marcos Durski

 
 
 
 

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